Enviado por universoemergente em 23/05/2009
Um prédio em São Paulo passou a aproveitar até a água que não chega pelo cano. Reservatórios no subsolo guardam água da chuva que é usada no jardim e para lavar o chão.
Uma campanha pela economia de água que a gente mostrou aqui no Jornal Nacional há alguns dias levou muita gente a escrever pedindo outra reportagem sobre esse assunto.
A campanha da fundação SOS Mata Atlântica sugere que as pessoas façam xixi debaixo do chuveiro, na hora do banho. Mas o repórter Alan Severiano mostra, agora, outras ideias para quem acha que não vai conseguir se acostumar com esse hábito novo.
Uma reforma de R$ 5 mil e um prédio em São Paulo passou a aproveitar até a água que não chega pelo cano. Reservatórios no subsolo guardam água da chuva que é usada no jardim e para lavar o chão.
Nós estamos economizando em média R$ 1 mil por mês, afirmou Maria Cecilia Higuchi, síndica do prédio.
A preocupação com o uso da água transformou uma casa num laboratório para evitar o desperdício. O que começou como experiências de fundo de quintal virou uma prova de que soluções caseiras também podem fazer milagre.
Com pequenas adaptações, a conta ficou 30% mais barata. A água da calha escorre para um tambor e é usada para regar plantas. O dono inventou até vasos com um sistema de irrigação mais eficiente.
A planta vai na terra. Embaixo, eu tenho um carpete. Esse carpete vai dentro de um tubo. Esse tubo, eu encho dágua. Então a planta só vai puxar a água que ela precisa, explicou Edison Urbano, técnico em eletrônica.
A maior economia vem do chuveiro. O que escoa pelo ralo vai para uma caixa do lado de fora. Depois de tratada com cloro de piscina, a água é usada na descarga.
O tratamento é essencial, diz José Carlos Mierzwa, professor de engenharia da USP, para eliminar bactérias e evitar que a água reaproveitada provoque mau cheiro e manchas na louça sanitária.
O problema é que ela tem na sua composição contaminantes, por exemplo shampoo, sabonete, creme. Isso pode trazer problemas durante o armazenamento. O ideal é tratar essa água.
É isso que este condomínio faz em larga escala. O esgoto das casas passa por uma estação de tratamento e perde mais de 90% da sujeira. Esta água não serve para beber, mas é usada na descarga dos banheiros e no jardim. Tudo foi planejado antes da construção.
A gente tem uma economia de 40% sobre o recurso natural e queremos chegar a 50%, projeta Anselmo Moraes Neto, consultor de administração.
O sistema custou R$ 1,5 mil para cada proprietário. As casas têm dois medidores de consumo: um de água potável, outro de água reaproveitada. O cuidado é tanto que há até limites para o consumo.
Não é à vontade por ser de reuso. Se você ultrapassar, tem multa. Isso para que não haja desperdício, porque hoje a água é um bem necessário, esclareceu o aposentado Bruno de Santis.
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