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Lâmpadas fluorescentes trazem riscos para a saúde

Seu interior contém mercúrio, metal tóxico que se espalha no ambiente quando a lâmpada se quebra e causa danos irreparáveis ao organismo humano. LEDs são melhor opção.

Há um bom tempo campanhas para a troca das lâmpadas incandescentes (que perdem até 70% da energia elétrica utilizada em calor) por lâmpadas fluorescentes, que são muito mais econômicas, ganharam espaço na mídia e em qualquer guia básico de como ser mais ecológico.

Contudo, esquece-se de dizer que as lâmpadas fluorescentes contêm mercúrio em seu interior, que se espalha e contamina o ambiente, quando se quebram. Qualquer pessoa nas proximidades, está arriscada a inalar partículas de mercúrio ou ter sua pele contaminada por este metal pesado ou até ingeri-lo ao levar a mão ou objetos contaminados à boca, mesmo muitos dias após a lâmpada ter se quebrado.

O mercúrio inalado ou ingerido entra na corrente sanguínea e instala-se nos órgãos, de onde o organismo não consegue mais eliminá-lo. As reações são diversas, dependendo do grau de concentração. Geralmente, quem foi intoxicado dessa maneira pode apresentar sintomas como dor de estômago, diarréia, tremores,depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento nas gengivas, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência, por acumular-se especialmente no cérebro.

Cada lâmpada tem uma quantidade pequena de mercúrio - nos EUA, os fabricantes se comprometeram a limitar a concentração a 6 mg em lâmpadas de 25 a 40W - que não prejudicaria um adulto sadio. Os riscos existem mais para uma exposição repetida ao mercúrio. Contudo, se cinco lâmpadas se quebram em um ambiente pouco ventilado já trazem um alto risco imediato a quem estiver por perto.

Agressor silencioso

Pode-se então imaginar o risco que todos nós corremos ao utilizar este tipo de lâmpada em larga escala, sem uma correta orientação do que fazer no caso dela quebrar e sem saber para onde encaminhar as lâmpadas queimadas.

Se levadas para lixões, ou trituradas em caminhões de lixo e depositadas em aterro, o mercúrio de seu interior passa a contaminar o solo e lençóis freáticos, tornando-se um agressor silencioso, infiltrado onde vivemos.

A sua reciclagem requer procedimentos especializados, que raríssimas indústrias estão habilitadas a realizar no Brasil. Além disso, as que reciclam este tipo de lâmpadas cobram por este serviço de R$ 0,30 a R$ 0,50 por lâmpada, mais valor do frete. Quantos estão dispostos a pagar por isso? Além disso, para fechar o cálculo da vantagem que elas representam, é necessário comparar quanta energia e quanto de água se gasta nesta reciclagem, em relação à economia de energia elétrica que elas geram.

Por enquanto, a realidade é que muita gente se expõe inocentemente ao contágio pelo mercúrio como lixeiros e catadores desavisados, que aceitam a doação destas lâmpadas ou até mesmo as recolhem do lixo, para reaproveitar o seu alumínio e seu vidro.

O que fazer

O contágio com mercúrio não é o único dano que estas lâmpadas provocam. Sua luz é intermitente, isto é, pisca em rápidos ciclos, o que causa dor de cabeça e mal estar a quem se expõe por muito tempo a ela.

A iluminação representa apenas 7% do gasto de toda energia elétrica gerada no País. No momento, não temos uma cadeia de coleta e reciclagem segura e econômica de lâmpadas fluorescentes. Assim, será que é prudente já estarmos incentivando uma troca massiva das lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes?

Técnicos do governo brasileiro e autoridades quando questionadas sobre esta questão respondem que uma legislação está sendo preparada para obrigar os fabricantes de lâmpadas fluorescentes a recolhê-las e reciclá-las, a exemplo do que já existe com pilhas, baterias e pneus. Contudo, sabemos que a coleta de pilhas, baterias e pneus, mesmo anos após a aprovação desta obrigação, ainda deixa muito a desejar. E estes produtos representam riscos menores do que o mercúrio contido nas fluorescentes.

As lâmpadas LED são melhores, pois não contêm mercúrio e usam ainda menos energia e duram mais que as fluorescentes; mas são mais caras. O governo poderia isentá-las de impostos, por exemplo, e facilitar uma economia de energia, sem riscos à saúde. Mesmo porque o fabricação das lâmpadas fluorescentes e sua reciclagem representam riscos contantes aos trabalhadores que as manipulam.

Enquanto uma melhor política pública não existe, podemos a qualquer tempo, usar menos energia - quantas vezes mantemos luzes acesas sem necessidade? aparelhos ligados sem ninguém ao lado? ou em standby, mesmo quando vamos ficar dias fora de casas? - e também, utilizar mais iluminação natural - telhas transparentes, clarabóias e vidros fazem muita diferença.

Dez passos

Campanha do governo britânico O risco representado pelas lâmpadas fluorescentes está no mundo todo. O governo britânico preocupado com o seu desconhecimento por grande parte dos ingleses, divulgou um guia de dez passos do que fazer no caso de uma lâmpada fluorescente quebrar. A Agência Ambiental Britânica quer anexar alertas e estas orientações às embalagens que as envolvem.

Os dez passos recomendados são:

* Espere 15 minutos fora do ambiente em que a lâmpada quebrou, antes de iniciar a limpeza

1 - coloque luvas protetoras

2 - coloque uma máscara protetora

3 - utilize uma caixa rígida, que não quebre ou se rompa

4 - pegue os fragmentos maiores e os coloque na caixa

5 - varra os caquinhos para uma folha de jornal ou papel e a coloque na caixa

6 - limpe a área usando um pano úmido

7 - coloque o pano na caixa

8 - sele a caixa com fita adesiva

9 - etiquete a caixa, identificando seu conteúdo e o risco que representa

10 - leve a caixa selada para a área de coleta de lixo

(o item 10 supõe a existência de uma coleta especializada para este item, o que, infelizmente, ainda não existe no Brasil).

Soluções criativas

Soluções para a iluminação de baixo impacto ambiental estão motivando muita gente criativa, como o jovem designer Clay Moulton, que inventou uma luminária de LED, a "Gravia". Esta se autoalimenta pela gravidade, sem necessidade de tomada alguma. Um peso é puxado manualmente e desce lentamente, por cerca de 4 horas, iluminando o ambiente. E melhor: a "Gravia" tem 200 anos de vida útil.

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Comentário de Fátima Freitas Fripp em 27 março 2012 às 16:05

Trabalho no Setor de Ações Socioambientais do TRF 4ª Região. Como achei o artigo acima bastante consistente e esclarecedor, vou utilizá-lo no processo administrativo que estou instruindo para sugerir a eliminação gradual das lâmpadas fluorescentes (à medida em que forem queimando) e sua troca por lâmpadas de LED.

Comentário de kinter oscar em 19 setembro 2008 às 1:10
estou no último ano de engenharia de produçao meu TCC é voltado para esta área de contaminaçao causado pelas lampadas fluorescentes no meio ambiente, meu trabalho visa orientar as pessoas do risco, e também conseguir de maneira correta que o maior responsavel pela coleta deste materia seja os munícipios, que seja encaminha esses resíduos aos fabricantes po que eles sao os maiores geradores deste material, tendo este objetivo para que seja substituido estas lampadas fluorescentes por LED,s tendo a mesma eficiencia em luminosidade e consumo de energia baixo. obrigado a todos Kinther de Cascavel PR.
Comentário de Artur de Souza Maciel em 12 setembro 2008 às 19:29
meio ambiente (por favor entendam a digitação anterior). Grato,
Comentário de Artur de Souza Maciel em 12 setembro 2008 às 19:28
Amigos: façamos essa matéria chegar às prefeituras, aos verdadeiros políticos que se preocupam com a vida, o mei ambiente e o bem estar do povo. Também às escolas, desde o maternal ao superior. Oxalá tenham muito e rápido sucesso nessa empreitada e que os mal-educados queimadores de matas e florestas enxerguem a necessessidade de combater o desmatamento, ajudando a recuperar os pontos degradados. Obrigado a todos os que espalharem essa noticia. Artur S Maciel - BH - MG
Comentário de Artur de Souza Maciel em 9 setembro 2008 às 10:51
Essa informação deveria também ser aproveitada pelos governos federal, estadual e municipal para alertar à população sob tais riscos. Há muito utilizo lâmpadas fluorescentes como medida de economia no consumo de energia elétrica nos condomínios que administro e em minha casa, além das novas lâmpadas eletrônicas; O importante, enquanto o governo não se mexe, que todos nós façamos a divulgação dessa matéria e alertemos as pessoas à nossa volta sobre tais riscos e como descartá-las após a utilização.
Comentário de Ademir Bosi em 26 junho 2008 às 11:03
olá, em alguns links como esse, http://www.fazfacil.com.br/reforma_construcao/iluminacao_fluorecentes.html, dizem que as lâmpadas não mais são c/ reatores eletromagnéticos -60herts- e sim eletrônicos -35000 herts- não causando mais problemas relacionados visão ou tontura. Isso procede, ou o site é patrocinado pela fabricante Osram que defende seu interesses comerciais? Meus pais tem câncer de pele, essas lâmpadas podem piorar a situação? Quais os reais riscos de lâmpadas fluorescentes? Agradeço se puderem me ajudar.

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